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domingo, 13 de novembro de 2011

Os Vales e montanhas sagradas dos Comechingones (Parte 1)

Palavras chave:  Vales de ERKS e Ongamira; Região do Monte Uritorco - Córdoba, Argentina
Coordenadas GPS:  30º 45’ 49” Sul; 64º 25’ 03” W
Pegamos a estrada cedo, em Córdoba,  debaixo de uma chuva forte. O dia não parecia muito promissor para subir a serra que começa logo depois de Rio Ceballos. Logo, nos primeiros quilômetros, a visibilidade era quase nula. Enfim, pensamos, vamos continuar, que ainda estamos longe!. Após quarenta quilômetros de marcha lenta, o céu se abria dando-nos as boas vindas ao Valle de Punilla. Mais ao oeste, dava para ver o impactante deserto de montanhas da Sierra Grande, a pleno sol e sem nuvens. Duas horas depois chegamos até o trevo de Capilla del Monte. A pequena e acolhedora cidade turística se estende até a ladeira do monte Uritorco, que aparecia majestoso entre as últimas brumas. È justamente aqui que começa nossa visita. Capilla é considerada uma das regiões mais místicas da América do Sul. É destino fixo de mochileiros, bicho grilo e turismo alternativo. Porém, também surpreende pelo grande número de cabañas muito bem arrumadas. E, também, pela chegada de outros visitantes, menos interessados no turismo, que vieram para ficar.    Refiro-me ao expressivo número de fundações e retiros de estudos espirituais, instalados ao redor do Uritorco, notadamente o  Templo Zen Shobogenji, o Mosteiro do Trigueirinho, o Grupo do UKSIM, o Templo Shiva Shakti, e outros que, desde há anos, desenvolvem importantes estudos na região. Todo o entorno de Capilla Del Monte era considerado sagrado pelos Comechingones, o povo indígena originário, antigos guardiões destas terras. Eles defenderam, até a imolação, essas montanhas, freando por um bom tempo o avanço dos espanhóis. Conta a história que, após um período no qual foram escravizados pelo conquistador europeu, os Comechingones conseguiram fugir. E, para não cair novamente nas mãos da “civilização”, optaram por se arrojar, em massa,  do alto do Colquiri, uma outra montanha sagrada. Estudos desenvolvidos por místicos contemporâneos sugerem que essa tribo indômita, possuía “instrumentos de poder” e que eram considerados os guardiões da mítica cidade de ERKS. Segundo os antropólogos, se comparados com índios de outras tribos, os Comechingones eram bem diferentes: altos, utilizavam longas barbas (uma raridade entre grupos indígenas americanos), e constituíam uma comunidade isolada, que freou o avanço dos Incas. As cerimônias eram muito elaboradas, e sempre presididas por xamãs.  Pois bem, decidimos visitar os lugares sagrados desse antigo povo.  Pegando uma longa trilha que vai até a base do Uritorco, chegamos ao Templo Zen, na hora que o zazem da tarde estava terminando. Lá fomos recebidos por um dos monges, que gentilmente nos acompanhou pelas instalações até o maior tesouro escondido na mata: um belíssimo manancial de águas cristalinas do qual abastecem o templo, as instalações, plantações, etc. O lugar é um oasis no meio das montanhas agrestes, onde o tempo parece transcorrer de forma mais vagarosa. Aliás, essa foi a sensação que tivemos nos vários lugares visitados em torno do Uritorco. Nessa tarde escutamos, pela primeira vez na viagem, histórias sobre aparecimentos de óvnis no entorno da montanha. De fato, nada novo, já que aparições desse tipo na região,  são veiculadas uma que outra vez nos jornais locais.  Moradores de Capilla  afirmam que essas manifestações não são infreqüentes e que, poucos dias antes da nossa visita, tinham divisado um grande disco vermelho, durante a noite, por trás da montanha. O Mosteiro esta localizado bem perto do místico vale de Los Terrones, onde, as vezes,  estranhas luzes podem ser observadas pelos visitantes. Precisamente nesse lugar decidimos, no final da tarde, fazer uma boa caminhada. 

 

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